Helena Ferreira
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Saúde Menstrual

A SOP mudou de nome. Mas o que é que isso significa para a saúde das mulheres?

A SOP mudou de nome. Mas o que é que isso significa para a saúde das mulheres?

Durante muitos anos, a Síndrome dos Ovários Poliquísticos, conhecida em inglês como PCOS, de Polycystic Ovary Syndrome, foi explicada sobretudo como uma condição que afeta os ovários. O próprio nome levava a isso: “ovários poliquísticos”. Simples e lógico, certo?


Contudo, um artigo recente publicado na revista científica The Lancet1 veio propor uma mudança importante. A PCOS passa a chamar-se PMOS, de Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome. Em português, a tradução mais próxima parece ser Síndrome Ovárica Metabólica Poliendócrina (SOMP), embora a terminologia oficial em português ainda possa vir a ser ajustada com o tempo.


Esta mudança de nome não é apenas uma questão de linguagem. É uma tentativa de corrigir uma ideia antiga e incompleta sobre esta condição. A SOP nunca foi apenas sobre “quistos” nos ovários. Aliás, aquilo que muitas vezes se vê na ecografia não são verdadeiros quistos patológicos, mas folículos que ficaram “parados” numa determinada fase do seu desenvolvimento. Além disso, nem todas as mulheres com SOP têm esse padrão ecográfico, e a presença de ovários com aspeto poliquístico, por si só, não explica todas as alterações metabólicas e hormonais que se podem manifestar.


O novo nome procura refletir melhor aquilo que a ciência já tem vindo a mostrar, isto é, que esta é uma condição complexa, que envolve vários sistemas hormonais, metabolismo, saúde ovárica, resistência à insulina, inflamação, pele, composição corporal, saúde cardiovascular, saúde mental e, sim, também infertilidade. Ou seja, não é apenas uma questão ginecológica, nem deve ser olhada apenas quando uma mulher quer engravidar.


Segundo o artigo, esta mudança resultou de um processo internacional de consenso, com participação de organizações científicas, profissionais de saúde e pessoas com a condição. O objetivo foi encontrar um nome cientificamente mais correto, mais claro, menos estigmatizante e mais útil na prática clínica.


Para muitas mulheres, esta mudança pode ser validante. Porque quantas vezes os sintomas são ignorados ou tratados de forma isolada? Acne de um lado, ciclos irregulares de outro, dificuldade em perder peso como se fosse apenas falta de esforço, ansiedade ou cansaço como se fosse só stress e não tivessem relação alguma com o estado hormonal e metabólico daquela mulher.


Assim, o novo nome vem reforçar que esta condição deve ser vista de forma global.


Na prática clínica, isto não significa que vá mudar muita coisa em termos de diagnóstico, porque, apesar da mudança de nome, os critérios vão manter-se. Talvez seja a forma como os profissionais acompanham estas mulheres que vá precisar de tempo para se adaptar a estas novas guidelines. De qualquer forma, significa que estamos a caminhar para uma visão mais completa por parte das comunidades científica e médica, menos centrada apenas nos ovários e mais focada no corpo feminino como um sistema integrado. Tudo aquilo que eu já defendo desde que tive o primeiro contacto com esta doença.


E é exatamente aqui que a nutrição e o estilo de vida têm um papel tão importante. Não como uma promessa de cura milagrosa, mas como uma ferramenta de cuidado contínuo. Ainda mais por se tratar de uma patologia crónica.

Resumindo, quando falamos em SOP, ou agora SOMP, não estamos a falar apenas de ciclos menstruais irregulares, de quistos nos ovários ou subfertilidade. Estamos a falar de uma condição que pode ter impacto negativo em vários sistemas do corpo da mulher e trazer consequências ao longo de toda a sua vida.

É certo que a mudança de nome não apaga os anos de desvalorização das queixas destas mulheres. Mas acredito que pode ajudar a mudar a forma como olhamos, investigamos e cuidamos daqui em diante.


Se tens ciclos irregulares, acne persistente, queda de cabelo, dificuldade em perder peso, sintomas pré-menstruais intensos ou até dificuldade em engravidar, procura uma avaliação individualizada. Isto são sinais de alerta para investigar uma possível SOMP e quanto mais cedo encontrares este diagnóstico, mais cedo encontras respostas para o desconforto que tens vindo a suportar há anos.

Referências bibliográficas

  1. Teede HJ, Khomami MB, Morman R, Laven JSE, Joham AE, Costello MF, Patil M, Rees DA, Berry L, Cree MG, Zhao H, Norman RJ, Dokras A, Piltonen T; Global Name Change Consortium. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome: a multistep global consensus process. Lancet. 2026 May 12:S0140-6736(26)00717-8. doi: 10.1016/S0140-6736(26)00717-8. Epub ahead of print. PMID: 42119588.
Helena Ferreira
A Autora

Helena Ferreira

Nutricionista dedicada a ajudar mulheres a reencontrar o equilíbrio hormonal e a viver em harmonia com a sua natureza cíclica.

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